8º Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas chega ao final

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O 8º Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas terminou no final desta quarta-feira (13), no Centro de Convenções em Salvador, onde mais de 1,5 mil profissionais e estudantes de Psicologia acompanharam os debates realizados em três mesas.

No período da tarde, o tema do debate foi “O fazer ético-politico do psicólogo: Participação da Psicologia na Assistência Social”. A referida temática contou com a mediação de Carla Andrea Ribeiro, integrante da Comissão Nacional de Assistência Social (Conpas) no CFP e os debates de Isabel Maria Fernandes de Oliveira (Profª Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Carmem Magda Ghetti Senra (Psicóloga da Prefeitura de Campinas) e Maria Helena Tavares (Ministério do Desenvolvimento Social – MDS).

O encerramento do evento se deu com a presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Mariza Monteiro Borges, com a presidente da Comissão Científica do 9º Congresso Norte-Nordeste de Psicologia (Conpsi) e com a representante do MDS, Maria Helena Tavares. Todas convidaram os profissionais e estudantes de Psicologia a darem prosseguimento aos debates da categoria no 9º Conpsi, que tem início hoje.

Assistência Social

Isabel Fernandes fez um paralelo da pobreza com o SUAS, abordando como era pensada a Assistência Social por uma lógica clientelista e não de inserção social. A professora explicou que a inserção da Psicologia nas políticas de assistência social não foi motivada, mas se deveu a questões mercadológicas.

Fernandes afirmou ainda que, mesmo em condições de penúria e fragilização, a participação da Psicologia na Assistência Social cresceu mais do que na área da Saúde.

A dirigente do MDS abordou a trajetória de dez anos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Para ela, a realidade desafia.  Ao apresentar os dados e os desafios do Governo, Maria Helena Tavares abordou o sentido do SUAS em aprimorar a corresponsabilidade entre os entes federativos (União, estados e municípios), bem como avançar na interlocução de produção e saberes. “Todos os entes têm de subsidiar as ofertas de serviços, pacto federativo na colaboração dessa oferta”, reforçou.

Segundo ela, a Psicologia tem e deve olhar para questões objetivas e subjetivas – tanto na gestão, atendimento e no controle social. Ao final, Maria Isabel destacou as parcerias firmadas entre o MDS e CFP: prontuário SUAS, Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e Termo de Cooperação do CFP/MDS. Sobre esse último, Tavares relatou que está em avaliação jurídica. “O Psicólogo pode ocupar outros espaços de trabalho, além da visão tradicional. Precisamos  ter esse diálogo interno e provocarmos diálogo extra-política e social”, disse.

Carmen Senra sublinhou que o fazer ético-político do psicólogo passa por um posicionamento diante do mundo. Ela também destacou que, apesar dos dez anos do SUAS Assistência Social, a Psicologia na Assistência Social já se encontrava presente antes, mas que agora consolida a Psicologia nos campos de referência. “Sou uma profissional pré-SUAS. Importante não perder essa trajetória histórica, que, no passado, tínhamos pouca ou nenhuma transparência sobre os recursos”, listando problemas que ocorriam como descontinuidade de programas, poucos recursos humanos (ausência de concursos públicos para a área), entre outros.

Senra destacou que os desafios da Psicologia para a Assistência Social passam por uma transformação da sociedade, sobre a rede de interrelações sociais, contra a precarização e burocratização excessiva das ações. “Luta pelo concurso público, luta por educação de qualidade, planos de Cargos, Carreiras e Salários e luta por uma defesa do trabalhador. Avanços na melhor formação acadêmica, ainda incipiente”, finalizou.